Pobres não podem pagar a conta da crise, diz Lula na Espanha

19/10/2011

Apresentado na Espanha como “a referência mais clara para um mundo justo”, o ex-presidente Lula cobrou, nesta terça-feira (19), a implantação das medidas contra a crise propostas em 2009 pelo G20 em Pittsburgh, nos EUA. Entre elas estão a regulamentação dos mercados financeiros e dos paraísos fiscais.

Segundo o ex-presidente, a crise não pode ser vencida apenas com medidas de ajuste, pois é necessário fazer com que a economia dos países volte à normalidade, com estímulo ao crescimento e ao comércio, diminuindo o protecionismo. “Não se pode permitir que o povo pobre e trabalhador, que não tem nada a ver com a crise, pague a conta”, afirmou.

Assista ao vídeo com a íntegra do discurso de Lula.

François Hollande, Alfredo Pérez Rubalcaba, Lula e Felipe González se encontram em Madri. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula. Lula fala na III Global Progress Conference. Foto: Instituto Lula. Lula fala na III Global Progress Conference. Foto: Instituto Lula. Lula fala na III Global Progress Conference. Foto: Instituto Lula. Lula fala na III Global Progress Conference. Foto: Instituto Lula. Lula fala na III Global Progress Conference. Foto: Instituto Lula.

 

Lula ressaltou que crise não é só da Europa, e que sua solução passa por decisões de longo prazo. “Não necessitamos de políticos quando tudo está bem. Sou político, não nego a política, não acho que haja solução fora da política e não tenho vergonha de ser político. Os políticos não podem tomar decisões pensando nas próximas eleições. Têm que pensar nas próximas gerações”, disse.

O ex-presidente participou da III Global Progress Conference, promovida em Madri pela Fundácion Ideas e pelo Center for American Progress, com a colaboração do Instituto Friedrich Ebert. Além dele, estiveram no evento o ex-presidente da Espanha, Felipe González, o ex-primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, além de Alfredo Pérez Rubalcaba, candidato do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) nas eleições que serão realizadas em novembro.

De acordo com Lula, em 2008 e 2009 já se dizia que a “era do sigilo bancário” havia acabado. Naquela época, logo após a primeira onda da crise global, os países do G20 já haviam identificado as causas do problema, e sinalizavam que era necessário proteger consumidores e investidores para garantir que não houvesse abusos do mercado financeiro.

Democracia
Ao citar a sua experiência no governo, o ex-presidente afirmou que o maior patrimônio que deixou ao Brasil foi uma boa relação entre Estado e sociedade. “Fizemos 73 conferências nacionais para definir as políticas públicas e não houve nenhum setor que não foi convidado.”

O resultado dessa política, de acordo com o Lula, foi criação de milhões de emprego e a retirada de mais de 28 milhões de pessoas da extrema pobreza. “Fizemos uma combinação que nem acreditávamos ser possível. Aumentamos o mercado externo e as exportações, aumentamos o salario mínimo sem aumentar a inflação”, disse.

A previsão do ex-presidente é de que o Brasil continue nesse rumo. “Nós temos um amplo programa de investimentos até 2020 para que, se tudo der certo, o Brasil vai se tornar a quinta economia do mundo.”

Lula se encontra com candidatos socialistas da Espanha e da França Zapatero recebe Lula no Palácio La Moncloa, em Madri



O Instituto Cidadania foi onde Lula debateu e elaborou com toda a sociedade propostas de políticas públicas antes de ser eleito presidente em 2002.

Hoje, o Instituto da Cidadania está se transformando no Instituto Lula, que cuidará do acervo histórico e do intercâmbio internacional das experiências políticas do ex-presidente.

Conecte-se

Destaques

Notícias

Categorias